Cadê a China que eu tanto temia?

Cadê a China que eu tanto temia?

Percebi que estou ficando velho de uma forma que é novidade para mim. A China que estudei e ouvi falar no colégio e na igreja definitivamente não existe mais.

A impressão da escola era de uma China fechada, comunista, com comidas esquisitas, povo rancoroso e difícil, produtos piratas e principalmente um local esquisito e complicado de se estar. Sempre que pensava na China, me vinha a mente aquelas máfias chinesas em cidades apertadas e obscuras.

Na igreja criei o conceito de um país fechado para o cristianismo, que missionários precisavam viver disfarçados e que igrejas evangélicas seriam encontradas somente em locais subterrâneos e muito escondidos do governo.

Talvez esta China já existiu, talvez foi só fruto da minha imaginação… porém o que vimos quando chegamos aqui foi algo completamente diferente.

Cidades organizadas, limpas, construções não só grandes mais imponentes, carros novos, avenidas largas, restaurantes ocidentais à vontade, povo disposto e amigável.

Em Beijing, andando por 1 quadra contamos 12 carros A6 (carro de luxo da Audi). Camionetes X5 (da BMW) e Cheyenne (da Porsche) também são vistas “às pencas”. E no geral os carros são todos novos. Eles certamente são mais baratos aqui, porém por mais barato que sejam ainda assim são carros de luxo.

Quanto às construções, as cidades são praticamente “canteiros de obra”. Quando voltávamos de um passeio, contamos no horizonte nada menos que 21 guindastes daqueles gigantes para se construir grandes prédios. Difícil ver velharia, a não ser que sejam prédios históricos.

Falando de Igrejas, o mapa turístico oficial já aponta igrejas de 5 denominações, incluindo católica e protestante. No domingo tivemos a oportunidade de ir em uma igreja que foi recentemente reconstruída apoiada pelo governo. É evangélica e no domingo tem 5 celebrações. Fomos em um encontro em chines e um em inglês, ambos lotados. Não conseguimos entrar no templo na celebração em chines, assim assistimos em um salão de apoio com telão em tempo real. O informativo desta igreja apontava para outras 7 na cidade para as pessoas encontrarem a mais perto de sua casa.

A pirataria (produtos falsos) realmente é vista e disponível em grande quantidade, você consegue comprar produtos de praticamente todas as marcas e pelo preço que quiser. Porém existem grandes shoppings (em Beijing vimos quatro) com as lojas oficiais das marcas, pelo preço e requinte percebe-se fácil que estas são as originais. Infelizmente nestas lojas não há negociação e os preços não são tão mais baixos que no Brasil.

Outro ponto negativo que nos pegou de surpresa na China é que o governo segue bloqueando sites como o YouTube, Picasa, Facebook, Twitter, alguns sites de notícias internacionais como BBC e Reuters, e outros que não descobrimos ainda. Segundo o governo isto seria para proteger o país, porém realmente não combina com todo o resto que temos visto. (por isto que não estamos publicando nossas fotos no Picasa)

A “fabrica do mundo” está em franco desenvolvimento e, se nada a impedir, em pouco tempo a China deverá ser uma das (ou a) mais fortes potências do mundo. Por que “fábrica do mundo”? Olha em volta e veja de onde são os produtos que você usa. Provavelmente a maioria são da China.

Até agora só passamos por Beijing e Xi’An, pode ser que nas outras cidades encontremos uma realidade diferente, porém isto acontece em qualquer país do mundo e se estas duas cidades que passamos até agora estão assim, demonstra que o futuro da China é realmente muito promissor.