Chuva e Cholas era o que mais tinha na Bolívia

Chuva e Cholas era o que mais tinha na Bolívia

Nunca havia visto tantas casas em morros antes de La Paz na Bolívia. A Cidade fica num vale e é cercada por montanhas tomadas por sobrados de tijolo a vista, como uma grande favela, mas as casas nao parecem tao ruins.

A capital do País é simples e relativamente pequena para tamanha importância. Até a  parte mais nobre  nao tem nada que chame muita atençao, o mais interessante é ver algumas cordilheiras ainda com neve no pico a pouca distância. Nao chegamos a conhecer a parte cívica, que parecia bonita por fotos, por causa da chuva. Nos 3 dias que estivemos ali, choveu.

Ficamos hospedados em um hotel com preço de hostel na regiao mais turística de La Paz, a Plaza San Francisco, onde o comércio é em sua maioria focado em lojas de artesanato e agências de viagem e em algumas bancas se vê feto de lhama seco (só no osso ou quase).

Vimos muitas “cholas” na Bolívia, mulheres baixinhas e gordinhas, em sua maioria, que mantem o costume de vestir como seus antepassados, o traje tradicional sao saias de babados, lenço ou manta nos ombros e um chapeuzinho de Charles Chaplin que parece que vai cair, mas mesmo nao sendo preso na cabeça, nao cai. Elas sao bem sérias e as vezes grosseiras, como diz o Dodo, “devem mandar em casa”. Dizem que elas usam saias porque fica mais fácil de fazer necessidades em qualquer lugar, e realmente vi algumas situaçoes delas urinando no meio fio e ajudando as crianças a fazerem xixi na rua também, mas alguns homens também tem essa prática. Infelizmente algumas cholas mais velhas mendigam e parecen viver em situaçao miserável. Certo dia um menina de uns 5 anos, filha de uma pedinte, agarrou as pernas do Dodo querendo dinheiro. O povo em geral parece bem sofrido e nao é muito receptivo. No deserto da Bolívia quando quis tirar uma foto de duas crianças que estavam lá no meio do  nada, perto das árvores de pedra, a menininha falou que eu tinha que pagar, e na Isla del Sol, quando tirei a foto de um galo numa caminhada outra criança quis que eu pagasse pela foto porque era o galo dele. É triste ver essa mentalidade de se cobrar por tudo nas crianças. Outro coisa estranha sao os engraxates, que andam emcapuzados como bandidos em fuga, assusta!

Por outro lado, o artesanato é belo e abundante, dá vontade de montar uma casa “a la boliviana”; matamos um pouco a vontade de comer carne em uma “Steakhouse” bem ajeitada, depois de 3 dias viajando pelo deserto e o Salar do Uyuni;  apreciamos uma deliciosa feijoada no nosso aniversário de 6 anos de casamento em um restaurante com cardápio brasileiro e cheio de bolivianos, nao era como a da Tia Deizi, mas estava ótima, foi a primeira vez que comemos feijao depois do Brasil. UFA, até que enfim, e como faz falta!!! Experimentamos uma fruta muito gostosa, a Tuna, parecida com o kiwi, cheia de sementinhas, mas mais docinha e de cores laranja ou beterraba, que parece um cáctus por fora, é muito vendida na rua.

Também nos sentimos muito bem acolhidos na Igreja Metodista La Reforma que visitamos na comemoraçao do nosso niver de casamento. No caminho para lá o Dodo estava lembrando de como as igrejas geralmente recepcionam os convidados e enfatizando o quanto prefereria nao ser notado, mas nao teve jeito, na hora das boas vindas fomos convidados a ir lá pra frente, ficamos ali do lado do pastor, onde começa o corredor, enquanto toda a igreja de pé cantava “bienvenidos, bienvenidos…” e acenava para nós. Me deu muita vontade de rir, mas tive que me concentrar. A igreja é tao acolhedora que tinha até “cachorro de braço” (tipo de madame) no culto, que dormiu no banco na hora da mensagem, hehehe. Presenciamos a entrada de uma noiva à uma outra igreja e vimos uns 5 carros decorados com pombos, flores e latinhas, parece um povo bem casamenteiro.

Para finalizar nossa experiência na Bolívia, saímos de La Paz e fomos para Copacabana para conhecer a Isla del Sol e o Lago Titicaca, o lago navegável mais alto do mundo, 3810 acima do nível do mar, e o maior lago de água doce da América Latina. Pelo pouco que vimos de Copacabana nao tem nenhuma relaçao com a que conhecemos no Brasil, é somente um ponto de partida para a Isla del Sol, e  ficamos somente na vontade de conhece-la, porque durante o tempo que dedicamos para visitar seus pontos turísticos, ficamos resolvendo a passagem para Puno, foi complicado porque era véspera de feriado e o pessoal só queria dançar, e da 13h30 até às 16h30 as agências de viagem que nos interessavam nao abriram. Enquanto aguardávamos uma dessas agências abrir, num baita calor, um cachorro simpatizou comigo e com minha frustaçao e veio do nada sentar do meu lado, me dar a patinha e colocar a cabeça no meu colo…um amor! Eu nem gosto de cachorro, ne?

Passamos uma noite na Isla del Sol, um jardim inca com alguns restos arqueológicos desse tempo. A mitologia inca acredita que foi aqui que o sol nasceu… Ficamos num hostel com vista para o Lago, foi legal, mas o caminho até a comunidade muito difícil, pois para chegar ali é preciso subir muitas escadas com degraus altinhos, tudo de pedra e com mochila nas costas… A Ilha é cheia de plantaçoes e tem muitos pés de chás, como menta, pelo caminho. Quando chegamos, depois de 1h30min de barco, tivemos que dispensar as crianças que ficam se oferecendo para te ajudar a chegar no seu hostel, em troca de gorjeta, e tivemos que respirar fundo quando uma chola quis nos cobrar por 3 entradas na Ilha ao invés de 2, porque uma escapou de sua mao e caiu no lago…  felizmente o nosso capitao conseguiu resgatar o bilhete e pagamos só por 2.