Cartagena, uma viagem no tempo…

Cartagena, uma viagem no tempo…

Andar pelas vielas da cidade murada de Cartagena de India (1533) ao som dos galopes dos cavalos puxando antigas carroagens é uma experiência que te faz sentir como se estivesse vivendo em outros tempos, aqueles onde as mulheres andavam com vestidos armados e apertados na cintura, com belos pentiados e sombrinhas e os homens, de tal maneira, em elegantes palitós de calda longa, bengala e chapéu. Bem, faltou o figurino para compor a cena na qual nos víamos admirando as casas de dois andares coladas umas nas outras, com enormes portas com detalhes nos puxadores em ferro e varandas de madeira trabalhada, algumas chamando mais atençao do que outras pelas lindas flores coloridas que desbruçavam de seu peitoral.

Desde sua fundaçao até a colonizaçao espanhola, Cartagena foi um dos portos mais importantes da América, por  onde chegavam escravos africanos e saíam as riquezas extraídas das colônias, por isso era muito visada e envadida por piratas. Depois de diversos ataques foi construída uma muralha para protege-la, que permanece até hoje. Nao é muito alta, mas os muros sao largos. Na parte de fora da muralha fica o Castillo de San Felipe, um forte bem interessante pelos seus diversos túneis que antes eram usados como esconderijo durante as batalhas e também como passagem de fuga em caso de invasao. Conhecemos vários deles, a maioria tinha nas laterais do corredor algumas passagens sem saída que pareciam um lugar para guardar muniçoes ou se proteger. O túnel mais longo e o único com passagem secreta em caso de fuga era também o mais apertado e onde faltava um pouco de ar, os outros iam em linha reta. Mas nao chegamos ate o final (a saída secreta) pois nao é permitido e também porque nos faltou ar. Ali só podem entrar 30 pessoas por vez.

Estivemos duas vezes em Cartagena, na primeira ficamos apenas 1 dia e seguimos para Santa Marta. Dali seguiríamos para a Venezuela, para conhecer Caracas e o Parque Nacional Los Roques (uma ilha no Caribe), mas como nosso passeio para lá nao deu certo, pelo fato de várias pessoas (venezuelanos e outros que tinham ido recentemente pra lá) nos alertarem quanto a insegurança do País no atual momento, pela  corrupçao por parte da polícia, racionamento de água e energia e o alto custo de estadia, sentimos que nao deveríamos seguir em nossa aventura por lá e entao decidimos voltar a Cartagena. Ficamos mais 3 dias.

Nessa segunda vez, nos aventuramos em um banho de lama na boca do vulcao El Totumo, o maior vulcao de lama da Colômbia! A ida até lá foi uma novela.  Seguimos o guia da Lonely Planet e fomos por conta, porém Deus teve que enviar uma retaguarda de anjos para nos livrar de uma roubada. O guia nos mandava ir para o Mercado Bazurto, para dali pegar outro ônibus que nos deixaria perto de onde se encontrava o Vulcao. Pensávamos que fosse como um Mercado Público tipo o de Porto Alegre, hehehe, mas o negócio era assustador. Primeiro o ônibus nos deixou no meio de uma “muvuca” tipo camelódromo piorado. Achamos uma farmácia ali dentro e pedimos informaçao sobre o ônibus. O “Tio” nos mandou ir para o outro lado do mercado, começamos a entrar em uma feira de 1 corredor, mas ou menos tranquilo, várias  banquinhas de carne a céu aberto, incluindo vários olhos de boi, hahaha, muita variedada de frutas e verduras, até parecia um bom lugar para comprar frutas mais barato, até que chegamos numa parte onde cruzava outro corredor e meio sem saber pra que lado seguir passamos por um beco entre duas barraquinhas. O cenário foi ficando cada vez pior. Nao víamos nenhum outro turista por lá e eramos a atraçao do lugar. Acho que o Dodo era o mais loiro da feira inteira, hehehe! Enfim, quando achávamos que estávamos chegando na saída, chegamos a um estacionamento fechado, tipo filme de açao e suspense, onde os caminhoes estao desabastecendo, onde estao limpando os peixes, onde depositam o lixo e ficamos numa adrenalina só, achávamos que agora iam nos cercar, mas foi quando o Dodo enxergou dois policiais, que foram anjos enviados por Deus para nos levar escoltados até a saída, sem causar pânico, nem nos assustar, somente nos tiraram discretamente de onde esses dois turistas tinham se metido até a porta de um ônibus que eles pararam para que nos levassem até parte do nosso destino! Bem, essa já foi uma experiência e tanto, porém mais estava por vir. 

No caminho para o vulcao andamos com uma moto muito divertida, aquelas para tres pessoas, com cabine. Nos sentimos na Índia ou na Tailândia, mesmo sem ter estado lá ainda, ou no Perú, onde vimos dessas mas nao precisamos usa-las. Apesar da lentidao da motinha, foi uma carona relaxante. Já no vulcao, achávamos que encontraríamos uma piscina onde a lama “medicinal” que saia do vulcao fosse depositada para a sessao de banho, mas nos surpreendemos ao descobrir que a “piscina” era a boca do vulcao!!! Ficamos aliviados ao saber que apesar da profundidade de 2.300 metros a lama te faz flutuar. Tivemos o privilégio de ser os únicos visitantes naquele horário e pudemos fazer várias tentativas de nos mover de um lado pra outro do buraco. É bem difícil! A sensaçao é estranha, mas gostosa ao mesmo tempo. Dava vontade de brincar de luta livre, mas nao conseguíamos tirar a metade do nosso corpo da cintura pra baixo pra dar o impulso do golpe, heheheh. No fundo do poço tem umas coisas nao identificáveis que você sente nas pernas, e que dá um sustinho, mas parece bolotas de lama e coisas tipo pedrinhas ou folhas que devem compor a mesma. Eu inventei de meter toda a cara na lama, mas assim que tentei abrir os olhos achei que a brincadeira tivesse acabado ali pra mim, foi difícil voltar a enxergar, mas deu pra sobreviver! Pra subir as escadas no final fica um pouco difícil, pois o corpo pesa mais. Depois dessa terceira grande sensaçao do dia, veio a última, quando fomos nos lavar no rio, duas senhoras nos pegaram pelo braço e nos deram banho, nao tivemos nem chance de falar nao. E mandaram a gente tirar toda a roupa!!! Era pra elas lavarem nossas vestimentas de banho, hehehe! Fiquei com medo de contraria-la, entao aceitei, porém me escondi bem debaixo d’água, mas o Dodo nao aceitou, hehehe, e fez isso depois por conta! Mas elas se mostraram bem divertidas no final, principalmente depois que outro voluntário do Vulcao tirou uma foto de uma delas sem calcinha depois de fazer xixi no mato. Tivemos receio no início porque nao sabíamos o que iam fazer com a gente. Na volta pra Cidade andamos duas vezes com um tipo de ônibus bem popular por aqui, em que  quanto mais colorido o painel e acessórios do motorista melhor, isso sem contar a pintura externa e as luzes que usam a noite, fica parecendo um pinheirinho!

Tentamos ir para a Isla Rosário, uma ilha próxima de Cartagena, com praias que dizem ser muito bonitas também, mas no dia do nosso passeio, nosso último dia ali, o tempo fechou e o capitao do porto cancelou as idas para a Ilha… Pra finalizar nossa experiência em Cartagena, o Dodo foi (pela primeira vez na vida) fazer a barba em uma barbearia, de mais de 50 anos, dentro da parte murada. Nao fez cabelo, mas fez barba e bigode, hehehe! Ficou ainda mais gato e charmoso com seu novo visual!!!

Veja aqui as nossas fotos (agora com comentários breves):

Colombia – Cartagena