Acampamos com cangurus e coalas na Austrália

Acampamos com cangurus e coalas na Austrália

Chegando na Austrália nosso grande desafio inicial foi descobrir a forma menos cara de se mover dentro do país. As opções são muitas, trem, ônibus, barco, avião, carro, porém nenhuma delas é muito convidativa quando se fala em cifras. Principalmente se não se faz a reserva com grande antecedência. Enfim, nossa opção para os primeiros dias na austrália foi alugar um carro, o nosso primeiro da RAROway, para viajar na direção norte fazendo parte da costa leste e voltar pelo interior (próximo da costa) durante 5 dias.

Para começar nossa jornada, tem um detalhe, aqui é MÃO INGLESA, ou seja, tudo invertido… você dirige do lado direito do carro, na pista da esquerda, a marcha é na esquerda e o pisca na mão direita, somente os pedais são iguais (felizmente)… nosso alívio foi ter pego um carro com marcha automática e ter contratado um GPS, não fosse isto estaríamos até agora tentando sair do bairro que alugamos o carro devido ao enorme número de vias, viadutos, entradas, saídas, etc…

Depois de encarar o desafio da mão inglesa (nós dois), iniciamos nossa viagem em 3 horas de estrada até chegarmos em Nelson Bay, uma baía onde fica o Parque Nacional Tomaree, porém a maior atração estava por conta de uma canguru que vive no amplo gramado do lugar onde paramos, recomendado pela nossa amiga da Austrália, Yulya. O nome dela é Josephina e está lá para um tempo de recuperação. Alguns minutos depois, no alto de uma árvore, vimos também um coala… Não estávamos acreditando que em alguns minutos veríamos os 2 animais símbolos da Austrália, e melhor, acamparíamos ao lado deles.

Esta história de acampar aconteceu pois como investimos um bom recurso no aluguel do carro decidimos aceitar o empréstimo de uma barraca oferecido por esta nossa amiga. O detalhe é que não tínhamos colchão, então o jeito foi comprar um barato saco de dormir e encarar o chão mesmo… uma experiência marcante.

Gostamos tanto da casa da Josephina (Melaleuca Backpacker) que resolvemos ficar mais um dia, e aproveitamos para conhecer  uma praia chamada One Mile Beach, uma outra que tem bonitas pedras e dunas chamada Stockton Beach e uma caminhada por uma montanha cercada de praias com uma vista de 360 graus fantástica no final (todos dentro do Parque Nacional Tomaree).

Após nos despedirmos da Josephina seguimos para dormir em Port Macquarie que fica um pouco mais ao norte, porém antes  fizemos uma parada em Forster e conhecemos um local chamado Seal Rocks, onde encontramos uma praia que tem a água cor de vinho, uma infinita diversidade de tipos de conchas e um farol muito bonito (infelizmente a bateria da câmera acabou justo lá). Chegando em Port Macquarie tomamos um café muito gostoso e caminhamos pela costa com um caloroso sol nas costas. Um fato interessante da Austrália é que o comércio em geral fecha MUITO cedo. Chegamos em um shopping umas 16:58 e pedimos por um café em algumas cafeterias e todos estavam fechando. A grande maioria das coisas (seja dia de semana ou final de semana) fecham às 17 hr, somente alguns grandes supermercados, restaurantes chiques e alguns fast food ficam abertos, e isto no interior só piora.

No dia seguinte passamos por Coffs Harbour, a cidade onde a banana (a fruta) é muito cultivada e tem uma ilha/montanha que permite uma bonita vista e então viramos nossa direção para o oeste e seguimos para conhecer um pouco do interior. Após algumas horas na Waterfall Way (nome da estrada) saímos da via principal para ver uma cachoeira anunciada em uma placa. Para nossa surpresa e total admiração, alguns metros depois encontramos um cemitério de cinema… grama verdinha e perfeitamente cortada, com uma cerca de madeira e no meio do gramado, entre os túmulos, 11 (onze) cangurus… era difícil de acreditar que a poucos metros de nós podíamos  avistar tantos juntos e de todos os tamanhos. Depois de “babar” nesta vista, ainda fomos surpreendidos por alguns minutos de SOL durante um dia de chuva para apreciarmos as cachoeiras (vale a pena ver as fotos).

No final da Waterfall Way, após dormirmos em Armidale, em um camping que tinha muitos veados (o animal) em um campo ao lado, pegamos a estrada rumo a Sidney apreciando a vista e nos despedindo do Nissan Micra (nome do nosso carrinho).

Apesar de terem sido 4 noites dormidas só com saco de dormir (3 com chuva), pela manhã tínhamos sempre um sentimento de que estava valendo a pena, pois os sons dos animais (principalmente pássaros) fazia termos a impressão de que estávamos no meio da floresta amazônica (imaginamos que é assim), uma infinidade de animais e um som confuso, alto, mas ao mesmo tempo maravilhoso.

Veja aqui as fotos de Nelson Bay e da Waterfall Way.