Temos descoberto que vida de backpacker, ou mochileiro em português, não é nada fácil… Principalmente se ele tem um orçamento apertado… Tentaremos descrever abaixo como temos percebido que é a sua rotina. Importante salientarmos que isto não uma generalização (existem exceções) e que não necessariamente é a nossa realidade.
O mochileiro acorda às 5 da manhã com a impressão de que um trem está passando por cima da sua cabeça, porém, a verdade é que o albergue foi estabelecido ao lado da estação central de trem para poder colocar no site que fica a 100 metros da estação principal, depois de pegar no sono novamente, às 6 horas dois de seus colegas de dormitório, mais precisamente aquele que roncou a noite inteira e aquele que tem um tênis que o chulé pode ser sentido do lado de fora do quarto, levantam pois vão pegar um ônibus cedo para seu próximo destino. Impossível dormir pois é um abre mala, fecha mala, mexe em sacola de supermercado, sai do quarto e deixa a porta bater. Ao chegar no banheiro um deles viu que esqueceu a toalha e volta, novamente bate a porta…ah detalhe, a toalha é aquela que estava indevidamente pendurada na cabeceira da sua cama fedendo mais que um cachorro depois da chuva. 20 minutos depois os dois finalmente saem do quarto em definitivo, e adivinhe? Novamente batem a porta.
Às 7 horas você acorda pois metade do albergue está acordado, caminhando, fazendo café, ouvindo música, a outra metade só vai acordar ao meio dia. Quando vai para o banheiro coletivo para tomar banho, chega com toalha, roupas e adereços e percebe que não tem nenhum pendurico no banheiro e o banquinho dentro do chuveiro está completamente molhado. O jeito é pendurar tudo na porta do chuveiro e torcer para não cair nada no chão (o que muitas vezes acaba acontecendo). Devido a quantia de pessoas entrando no banho em outros chuveiros pelo hostel você nunca sabe o que esperar da temperatura da água nos próximos 5 segundos, pois ela esquenta e esfria como se você estivesse brincando com as torneiras quentes e frias.
Voltando para o quarto é aquela função, coloca tudo dentro da mochila novamente e começa a preparar a mochila de ataque para encarar o dia. Chegando no café você encontra dezenas de colegas mochileiros cozinhando tudo que é tipo de comida, alguns inclusive parecem estarem preparando um almoço, aí então começa a disputa pelo microondas, o congestionamento para a geladeira, e a espera pelos pães na torradeira, e então você percebe que nenhuma panela para os ovos está limpa, mas enfim um bom tempo depois a missão do café está cumprida. Lava tudo, seca e guarda e você está pronto para encarar mais um dia.
Estando em um país rico, você vai estudar então a forma de gastar menos e provavelmente seu orçamento não permitirá grandes distâncias, é necessário muita atenção e cuidado para não cair na tentação dos restaurantes, lojas, cafés, sorveterias… Estando em um país mais simples, o próximo passo seria estudar uma forma de chegar nos lugares, existindo esta forma então a questão é avaliar se é seguro e chorar para tentar jogar o preço mais para baixo possível (em países ricos não existe esta parte).
Depois de um dia de longas caminhadas, incluindo algumas que eram para ser de 3 horas e foram de 5, você chega exausto no albergue e percebe que praticamente todos os mochileiros que estavam no seu quarto foram embora e chegaram outros.
Antes da janta e depois do banho você dá uma passada no armário de “free stuff” (lugar onde as pessoas colocam coisas descartadas que outros mochileiros podem pegar de graça) para ver se tem alguma coisa interessante. Normalmente o que tem neste armário é um guia de viagem em árabe (escrito ao contrário e com símbolos desconhecidos), um cadeado sem a chave e um pacote de calcinhas descartáveis (isto é verdade)… ás vezes você encontra algo bom principalmente na parte das comidas como algum tempero, sal, óleo e até macarrão.
Quando você está acabando de cozinhar uma janta que deu um grande trabalho e tomou um bom tempo, existem grandes chances de alguém vir perto de você e jogar um prato pronto, bonito e cheiroso no lixo, prato este que enquanto você estava cozinhando estava o admirando e desejando, ou então pior ainda, esta pessoa lhe oferece este prato explicando que fez demais e não vai conseguir comer tudo. Às vezes você até acaba aceitando, come um pouco de cada prato e fica frustrado por esta oferta não ter chegado antes.
Na hora de procurar um entretenimento, você vê diversas pessoas acessando a internet, mas depois de conectar na rede wireless é informado que o valor da hora é praticamente o valor de uma refeição (isto nos países ricos), então descartando esta possibilidade vai para a sala de TV, é muito grande a chance de o pessoal estar super entretido com um programa que você não tem interesse nenhum (exemplo: se você gosta de novela vão estar assistindo futebol, e vice-versa).
Na hora de dormir é sempre uma incógnita, pois você pode encontrar de tudo no quarto, mochileiros comendo, ouvindo música, conversando, mas o pior que você pode encontrar é algum mochileiro que exagerou na bebida e está querendo conversar e abrir o coração, porém você sabe que é praticamente impossível que ele lembre desta conversa no dia seguinte. Depois de encerrar a produtiva conversa, você finalmente encosta a cabeça no travesseiro torcendo para que nenhum de seus novos colegas tenha dificuldades com o ronco (na real quem tem dificuldade são os outros) e procura relaxar para aguardar o trem que certamente virá às 5 horas.
IMPORTANTE: Salientamos alguns pontos não muito positivos e engraçados na vida de um mochileiro, porém as montanhas, praias, rios, metrópoles, lagos, passeios que um mochileiro vive compensam de longe qualquer lado negativo deste estilo de vida.
Huahuahuahuahua!!!
Adorei!!!
Isso é a mais pura verdade 😉
hahahahahahahaha, nossa… consegui imaginar certinho! mto bom!!